
Você alcança conexões de tubulação de instrumentação sem vazamento controlando rigorosamente quatro variáveis: dureza/geometria do tubo, montagem precisa (regra de 1-1/4 de volta), alinhamento sem tensão e verificação pós-instalação.
Em meus 30 anos no campo, aprendi que “sem vazamento” não é sobre força—é sobre a física da deformação plástica. Conexões de compressão com dupla anilha (como o design da Sunhy) criam uma vedação estanque a gás apenas quando a anilha frontal veda contra o corpo da conexão e a anilha traseira agarra o tubo. Este sistema falha no momento em que você o trata como uma rosca cônica de tubo.
Dados de campo mostram que 85% de vazamentos em conexões de tubulação de instrumentaçãosão causados por erros de instalação, não por defeitos de fabricação. As causas raiz geralmente remontam a:
- Falha na Preparação do Tubo: Usar uma serra de arco (cria cavacos) em vez de um cortador de tubo, ou ignorar ovalidade em tubos macios enrolados.
- O Mito do “Torque”: Aperto por “sensação” em vez de “voltas”. Sub-apertar deixa as terminações não assentadas; super-apertar esmaga o diâmetro interno, restringindo o fluxo.
- Tensão por Carga Lateral: Forçar um tubo desalinhado no corpo. Isso impede que o tubo encoste no ombro, criando um volume morto e um caminho de vazamento.
- O Risco de “Mistura”: Misturar uma porca Swagelok com uma terminação Parker (ou vice-versa). As tolerâncias diferem em milésimos de polegada, comprometendo a vedação.
Você evita paralisações custosas padronizando um procedimento repetível. Abaixo está o padrão de engenharia para instalação, inspeção e solução de problemas.
Preparação para Conexões de Tubulação para Instrumentação
Armazenamento de Tubulação e Conexões

A dureza e o acabamento superficial da tubulação definem a qualidade da vedação.
Mesmo a melhor conexão não pode vedar em tubulação danificada. A tubulação de aço inoxidável encrua; se você arrastá-la sobre um piso de concreto ou armazená-la descoberta, aumenta a dureza superficial e introduz arranhões pelos quais moléculas de gás (como Hélio ou Hidrogênio) podem escapar.
- Limite de Dureza: Para tubos de aço inoxidável (ASTM A269), a dureza do tubo deve ser inferior à dureza do férulo (tipicamente HRB 80-90 máx.) para permitir a “mordida”.”
- Segregação: Nunca armazene tubos de cobre com aço carbono ou aço inoxidável para evitar gatilhos de corrosão galvânica antes da instalação.
- Proteção: Mantenha as tampas nas extremidades até o momento da instalação. Um único grão de areia na superfície de assentamento causa um vazamento que o aperto não consegue corrigir.
Centralize seus acessórios. Os instaladores devem ter medidores e ferramentas de desbarbar dedicados em seu Conexões de Instrumentação e Válvulas kit de ferramentas, não ferramentas compartilhadas da oficina que podem estar contaminadas com óleo ou cavacos.
Corte e Desbarbagem de Tubos

O “Perigo da Serra Manual”: Por que o estilo de corte importa.
Em sistemas críticos, serras manuais são proibidas. Elas produzem cortes irregulares e cavacos soltos que contaminam válvulas a jusante. Use um cortador de disco afiado ou uma ferramenta dedicada de faceamento de tubos.
- Corte Quadrado: A extremidade do tubo deve assentar plana contra o ombro do corpo. Um corte inclinado cria uma folga onde se formam turbulência e armadilhas de partículas.
- Desbarbamento (ID/OD): Isso é inegociável. Uma rebarba no OD impede que o anel de compressão deslize para a posição. Uma rebarba no ID cria restrição de fluxo.
- O Erro do “Polimento”: Não use lixa de pano na extremidade do tubo. Ela cria um padrão de arranhões axiais (longitudinais) — uma via perfeita para vazamentos de gás.
Estudo de Caso de Campo: O Vazamento “Misterioso” do Analisador
Problema: Um abrigo de analisador em uma refinaria tinha vazamentos persistentes de Hélio em linhas de 1/4″.
Causa Raiz: O instalador usou uma roda de corte cega, que pressionou o tubo em formato oval em vez de cortá-lo limpo. Os anéis de compressão foram calandrados no tubo oval, deixando folgas microscópicas nos lados planos.
Correção: Recorte o tubo com uma roda afiada, verifique a redondeza com um paquímetro e retermine. Os vazamentos desapareceram.
Inspeção Antes da Montagem
Não construa sobre uma base ruim. Verifique a Especificação da Tubulação.
Para serviço geral, a tubulação deve atender ASTM A269 ou ASTM A213. A espessura da parede determina seu fator de segurança de pressão. Um erro comum é usar tubulação de parede fina (por exemplo, parede de 0,028″ em OD de 1/2″) para gás de alta pressão—ela pode colapsar sob tensão do anel de compressão, levando à ejeção do tubo.
Seleção de Material e Compatibilidade
Corresponder o material do tubo ao ambiente é tão crítico quanto a instalação em si.
Muitas falhas em campo são eletroquímicas, não mecânicas. Abaixo está um guia de compatibilidade para cenários comuns de instrumentação.
| Material do Conector e do Tubo | Melhor Aplicação | Restrição de Engenharia Chave |
|---|---|---|
| Aço inoxidável 316/316L | Processo Geral, H2S (Gás Ácido), Injeção Química. | Escolha padrão. Deve usar ASTM A269 tubulação. Evitar em água do mar estagnada >60°C (Risco de corrosão por pites). |
| Latão | Ar Instrumental, Controles Pneumáticos, Gases Inertes. | Somente baixa pressão. Nunca usar com Amônia ou Acetileno (Risco de trinca por corrosão sob tensão). |
| Liga 400 (Monel) | Água do Mar, Ácido Fluorídrico (HF), Ambientes Marinhos. | Excelente resistência ao sal. Caro. Certifique-se de que o tubo esteja totalmente recozido. |
| Liga C-276 (Hastelloy) | Gás Ácido Severo (NACE MR0175), Ácidos Agressivos. | Serviço crítico. Verifique os números de corrida e os certificados de material (MTCs). Não misture com peças de aço inoxidável 316. |
Regra Galvânica: Geralmente, o tubo deve ser do mesmo material que o conector. Se a mistura for inevitável (por exemplo, conector de Monel em tubo de aço inoxidável), certifique-se de que o tubo seja o “cátodo” (mais nobre) para evitar corrosão rápida da fronteira de pressão, embora materiais idênticos sejam sempre a escolha de engenharia mais segura.
Passos de Instalação de Conexões para Tubos
Inserindo e Alinhando o Tubo

A Regra do “Encaixe Total”.
O feedback tátil mais crítico durante a instalação é o tubo atingir o ombro do corpo do conector. Se não houver encaixe total, as anilhas engatam na extremidade do tubo (ou no ar), e o conector pode se soltar sob pressão.
- Insira o tubo. Se ele travar, não force—verifique ovalidade ou rebarbas.
- Aperto com os Dedos: Gire a porca até sentir os ferrules entrarem em contato com o tubo. Este é o ponto “Zero”.
- Marque a Porca: Use uma caneta permanente na posição das 6 horas. Esta é a única forma de verificar visualmente as voltas.
Dica Profissional: Nunca “puxe” o tubo para dentro do conector usando as roscas da porca. Isso cria tensão residual (carga lateral). O tubo deve ficar neutro no conector antes de iniciar o aperto.
Procedimento de Aperto da Porca (A Regra de 1-1/4)

A instalação padrão para tubos > 1/4″ (6mm) é 1-1/4 voltas.
Para tubos menores (1/8″, 3/16″), o padrão é tipicamente 3/4 de volta. Sempre verifique a folha de dados.
- Estabilize: Use uma chave de apoio no corpo do conector. Não fazer isso transmite torque para a tubulação, torcendo e tensionando o sistema.
- Gire: Gire a porca 1 volta completa (de 6 horas para 6 horas), depois adicione 1/4 de volta (para 9 horas).
- Sensação: Você sentirá a “parada sólida” quando as terminações se fixarem.
| Erro | Consequência |
|---|---|
| Aperto insuficiente | A terminação traseira falha em agarrar. O tubo pode ejetar sob pressão (Incidente de Segurança). |
| Aperto excessivo | O diâmetro interno do tubo se contrai (perda de fluxo) e as terminações se deformam elasticamente, tornando a remontagem impossível. |
Usando um Medidor de Folga (Go/No-Go)

O medidor de folga é sua ferramenta primária de controle de qualidade para instalação inicial.
Ele verifica a distância entre a porca e o ombro do corpo. Confirma que você avançou a porca o suficiente para calçar as terminações.
- Como usar: Tente deslizar o medidor na folga.
- No-Go: Se o medidor não podem não entrar na folga, a conexão está devidamente apertada.
- Go: Se o medidor couber, você deve apertar mais.
Nota Crítica: Os medidores de folga são válidos APENAS para instalação inicial. Uma vez que uma conexão foi afrouxada e reapertada, o medidor não é mais um indicador preciso. Para remontagem, confie na marcação de torque/posição.
| Norma Aplicável | Contexto de Aplicação |
|---|---|
| ASME B31.3 | Código de Tubulação de Processo: Define os requisitos de teste de pressão e materiais para sistemas de tubulação industrial. |
| ISO 20485 | Teste com Gás Traçador: A norma para detecção de vazamentos de alta sensibilidade (Hélio) usada em aplicações de semicondutores e hidrogênio. |
Verificações Pós-Instalação
Métodos de Teste de Vazamento

A verificação gera confiança. Escolha o método que corresponde ao risco do seu meio.
- Detectores de Vazamento Líquido (Snoop): Bom para ar comprimido e gases inertes.
Restrição: Não é sensível o suficiente para hidrogênio ou gases perigosos. Certifique-se de que a solução seja compatível com sua temperatura (risco de congelamento). - Teste de Decaimento de Pressão: Pressurize a linha, isole-a e observe o manômetro.
Restrição: Exige estabilidade de temperatura. Uma queda de temperatura pode parecer um vazamento (Lei de Gay-Lussac). - Espectrômetro de Massa de Hélio: O padrão-ouro para sistemas de vácuo e gases perigosos. Pode detectar vazamentos tão pequenos quanto $1 \times 10^{-9}$ std cc/sec.
Conselho de Engenharia: Nunca use um “isqueiro” (chama) para testar vazamentos. Já vi isso causar incêndios em linhas “supostamente inertes” que continham hidrocarbonetos residuais.
Inspeção de Ajuste e Alinhamento
Um sistema “sob tensão” é um sistema com vazamento.
Verifique o percurso após aperto. Se a tubulação envergar ou torcer, você introduziu carga lateral.
| Verificação Visual | Critérios de Aprovação |
|---|---|
| Suporte de Tubulação | Grampos devem ser instalados em intervalos rigorosos (por exemplo, a cada 1 metro para tubulação de 1/2″) para evitar fadiga por vibração. |
| Contato da Porca | A porca não deve entrar em contato com a sextava do corpo, a menos que seja projetada para isso (verifique com o calibrador de folga). |
| Exposição da Rosca | A exposição consistente da rosca em conexões de tamanho similar indica um processo consistente. |
Passo a Passo: Solução de Problemas e Diagnóstico de Vazamentos
A solução sistemática de problemas economiza peças e tempo. Não apenas aperte mais!
O aperto em pânico frequentemente transforma um pequeno vazamento em um corpo de conexão destruído. Use esta lógica de fluxograma:
- Fase 1: Visual (Não Intrusiva)
- A porca está encostada no corpo? (Se sim, está sobre-apertada; substitua).
- O tubo está entrando em um ângulo? (Carga lateral; corrija os suportes).
- Há uma folga? (Verifique com o calibrador de folga se for uma instalação nova).
- Fase 2: Despressurização e Desmontagem
- Segurança em Primeiro Lugar: Alivie toda a pressão. Nunca use uma chave em uma conexão pressurizada.
- Marque a posição da porca e do corpo. Afrouxe a porca.
- Inspecione o Tubo: Procure por uma “linha brilhante” onde a ferrule mordeu. Se o tubo estiver marcado, está bom. Se estiver liso, foi subapertado.
- Fase 3: Análise dos Componentes
- Ferrules: Estão ativos? A ferrule traseira deve agarrar o tubo (você não deve conseguir puxá-la facilmente). A ferrule dianteira deve estar livre de arranhões profundos.
- Assento do Corpo: Ilumine o interior com uma luz. A superfície cônica está com pites ou arranhada? Se sim, o corpo está inutilizado. Substitua-o.
| Sintoma | Causa Provável | Ação Corretiva |
|---|---|---|
| Vazamento na vedação do corpo | Tubo riscado ou sujeira no assento | Limpar o assento; se riscado, cortar o tubo e reinstalar. |
| Vazamento na rosca da porca | Gripagem ou peças misturadas | Substituir o conector; usar lubrificante adequado nas roscas (se permitido). |
| Tubo ejetado | Subaperto / Espessura de Parede Incorreta | Verifique se a espessura da parede corresponde à pressão; retreine em 1-1/4 de volta. |
Dicas de Segurança e Remontagem
Precauções de Segurança
Trate Alta Pressão como Alta Tensão.
Um vazamento por pino hidráulico pode injetar fluido na sua pele (lesão por injeção), levando à amputação. Um vazamento de gás pode causar asfixia.
- Sangrar Pressão: Verifique o estado de energia zero antes de tocar em uma chave.
- EPI: Óculos de segurança são obrigatórios. Gás de alta velocidade carregando partículas metálicas pode cegar.
- Zona de Exclusão: Mantenha o pessoal afastado durante o teste hidrostático/pneumático inicial.
Consulte nosso guia de seleção de conexões pneumáticas para protocolos de segurança específicos do sistema de ar.
Procedimentos de Remontagem
As conexões de dupla anilha são reutilizáveis — se você fizer corretamente.
Como as anilhas são calandradas permanentemente no tubo, você não pode “substituí-las” sem cortar o tubo. No entanto, a conexão pode ser desfeita e refeita várias vezes.
- Insira o tubo com as anilhas calandradas no corpo da conexão.
- Gire a porca manualmente até sentir resistência (as anilhas batendo no assento).
- Usando uma chave, aperte levemente além da posição original (normalmente 1/8 a 1/4 de volta). Não use a regra de 1-1/4 de volta para remontagem! Você destruirá a conexão.
Para um guia visual detalhado, consulte nosso SOP: Um guia completo para a instalação de conexões para tubos.
Lista de Verificação Resumida:
- Tubo: Corte quadrado, rebarbado, dureza adequada.
- Instalação: Encaixado até o fundo, porca marcada, 1-1/4 de volta.
- Verificação: Medidor de folga (inicial), Teste de vazamento (final).
PERGUNTAS FREQUENTES
Por que as conexões tubulares vazam mesmo quando apertadas?
Geralmente devido a defeitos no tubo ou carga lateral, não à falta de torque.
Se o tubo tiver um arranhão longitudinal, o anel de vedação não consegue selar a folga. Se o tubo entrar em ângulo (carga lateral), os anéis de vedação se deformam de forma desigual. Apertar mais frequentemente esmaga o tubo, piorando o vazamento.
Posso usar fita de Teflon em conexões de tubulação para instrumentação?
Absolutamente NÃO nos anéis de vedação/porca.
A fita de Teflon é apenas para roscas cônicas de tubulação (NPT). Colocar fita nas roscas da porca de compressão altera a relação torque–atrito, levando a um calandramento imprevisível. Colocar fita nas buchas interfere com o selo metal-metal.
Posso misturar peças Swagelok, Parker e Sunhy?
Não. Isso é uma “mistura” perigosa.
Embora pareçam compatíveis, os ângulos internos e as tolerâncias diferem. Misturar peças anula as garantias e cria um alto risco de explosão sob pressão. Mantenha sempre a porca, as buchas e o corpo do mesmo fabricante.
Quantas vezes uma conexão tubular pode ser remontada?
Depende da condição, tipicamente 10 a 20 vezes em serviço benigno.
Inspecione as superfícies de vedação a cada vez. Se o assento do corpo estiver com corrosão por pites ou as roscas estiverem com gripagem, substitua o componente. A lubrificação adequada das roscas (mas não da área de vedação) estende a vida útil da remontagem.
Qual é a diferença entre conexões “Instrumentação” e “Hidráulicas”?
Tolerância e Método de Vedação.
As conexões de instrumentação (Dupla Bucha) priorizam a vedação estanque a gás em tubos de parede fina. As conexões hidráulicas (frequentemente DIN 2353 ou Flare) priorizam a retenção de pressões massivas em tubos/tubulações de parede grossa sob alta vibração.
Quando devo usar um medidor de folga?
Apenas durante a instalação inicial.
Confirma que a porca percorreu a distância necessária para ajustar as buchas. É preciso apenas para o primeiro aperto. Não use para verificações de remontagem.
Qual material de tubulação devo usar com conexões de aço inoxidável?
Utilize tubos de aço inoxidável 304 ou 316 totalmente recozidos (ASTM A269/A213).
O tubo deve ser mais macio que o material do conector (tipicamente HRB < 90) para garantir que as braçadeiras possam penetrar nele. Não utilize tubos de plástico ou cobre com braçadeiras padrão de aço inoxidável sem um inserto para tubo macio.



